Em 01/02/2012 às 00:12h
Inácio de Antioquia, grande teólogo do primeiro século, escreveu: "É melhor ser silencioso e real, do que falar e ser irreal". Em todas as tradições religiosas da humanidade, um dos pontos de consenso é justamente a respeito do valor do silêncio. Estamos o dia todo envolvidos em muito barulho: carros, buzinas, pessoas falando o tempo todo, crianças gritando, sons de telefone, rádio, TV e tantas coisas mais. O barulho não somente cansa e esgota a pessoa como torna-nos agressivos, estressados, superficiais e fora do nosso centro ou equilíbrio.
O silêncio é fundamental para a saúde física, psíquica e espiritual. Pessoas silenciosas são profundas. Pessoas barulhentas são superficiais. Madre Teresa de Calcutá dizia que chutar uma lata vazia faz mais barulho do que uma lata cheia. Pessoas barulhentas são muito vazias.
O silêncio ajuda-nos a encontrar com a gente mesmo. Talvez seja por isso que muitos fogem da quietude. Tem medo de se encontrar. Preferem permanecer na ilusão a respeito de si a ter que confrontar-se com seus defeitos, carências, feridas, desejos e culpas. Porém, ninguém é só negatividade. O negativo deve ser aceito, amado para que, abertos à Graça de Deus, sejamos redimidos.
Fugir do silêncio – do encontro consigo – pode levar-nos a viver uma grande mentira a vida toda e não descobrir nossas potencialidades, qualidades, dons, talentos e capacidade. A quietude nos conduz ao encontro com Deus. Quem mergulha no silêncio diariamente, jamais voltará como era antes ou pensava ser. O silêncio nos faz pessoas mais equilibradas, centradas, lúcidas. Torna-nos mais atentos e sensíveis aos irmãos e às manifestações de Deus em nossas vidas.
Cristo, depois de intenso trabalho evangelizador junto às multidões, fugia para os montes silenciosos para seu encontro com o Pai. Hoje, nossas igrejas tem se tornado lugares de barulho. Fala-se demasiadamente antes e durante as celebrações. Celulares tocam e são atendidos no momento mais sublime de oração. Faltam momentos de quietude. O risco é tornar nossas igrejas espaços onde escutamos somente a nós mesmos e o que nos é conveniente. Falar demais, ser barulhento, fazer da oração discursos intermináveis é uma forma de abafar a voz de Deus.
Temos medo do silêncio e não somos educados para saboreá-lo. Temos medo não só de encontrar conosco, mas de ouvir a voz de Deus e encontrar-nos com sua presença luminosa. Não queremos ver como espessas são nossas trevas. O que o Senhor vai pedir se eu escutá-lo e deixá-lo vir ao meu encontro? Por isso, é mais fácil uma religião de muita cantoria e pouco compromisso, de busca de curas e milagres do que verdadeira conversão ao Evangelho.
Gostaria de sugerir aos nossos paroquianos tirar pelo menos 10 minutos no seu dia em algum lugar silencioso. Sentado, deitado ou mesmo de pé – de preferência em uma posição confortável – olhos fechados, apenas saboreando o silêncio. Não se prenda às imagens, pensamentos ou sentimentos. Deixe tudo vir e ir embora livremente. Apenas saboreie o silêncio e perceba como a quietude leva você a sentir-se mais integrado, aberto a Deus e aos irmãos. O silêncio prepara o coração para a oração como encontro com o Senhor.
Autor: Padre Paulo
Em 30/12/2011 às 10:14h - Atualizado em 30/12/2011 às 17:41h
O Cuidado na Vida do Discípulo
"A poesia é face da beleza divina, a pegada de Deus na brutalidade das coisas" Adélia Prado
Hoje, a evangelização pede de nós o cuidado do outro e com o planeta. Isto se chama "ecologia profunda". Cuidar é prestar e dar atenção. Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – não só cria o mundo e o ser humano, mas cuidam: prestam atenção em nós. Não foi sem motivos que a filósofa judia francesa, Simone Weil, definiu a oração como a atitude de "prestar atenção".Autor: Padre Paulo